Em 23 de outubro de 1906, precisamente às 16 horas, no campo de Bagatelle, na França, Alberto Santos Dumont, com o seu "14-bis", elevava-se cerca de 2 metros do solo e percorria uma distância aproximada de 60 metros.
Era a primeira vez que o Homem vencia a lei da gravidade, voando no mais-pesado-que-o-ar. Entretanto, a partir deste notável feito, várias questões surgiram com referência à primazia da aviação, todas elas procurando roubar a Santos Dumont a glória de ter sido o Pai da Aviação.
Pretendemos expor, de maneira clara e concisa, as falsas primazias decorrentes do feito do nosso genial patrício pois, na expressão de um de seus biógrafos, foi Santos Dumont "quem deu asas ao mundo e glória ao Brasil".
Todos os jornais do mundo noticiaram e fotografias autênticas perpetuaram a ocorrência. Um monumento foi erguido no local do vôo, para comemorá-lo.
A prioridade do vôo em favor dos irmãos Wright (Wilbur e Orville) é a que atualmente tem provocado maiores controvérsias. Os norte-americanos reconhecem ter sido Santos Dumont o primeiro homem que voou no mais-pesado-que-o-ar, na Europa, entretanto, não o admitem como o autor do primeiro vôo realizado no mundo inteiro.
A argumentação levantada pelos norte-americanos é de que os irmãos Wright "voaram", pela primeira vez, em 17 de dezembro de 1903, ou seja, dois anos e dez meses antes do famoso vôo de Santos Dumont, em 23 de outubro de 1906.
Já que o assunto é muito mais vasto, citaremos alguns quesitos, nos quais está evidenciado, de maneira clara e insofismável, que os norte-americanos não possuem provas oficiais para reivindicarem a paternidade da aviação.
Citaremos abaixo um trecho da obra "O que eu vi o que nós veremos", livro escrito pelo próprio Santos Dumont, seguido de alguns comentários:
"Um público numeroso assistiu aos primeiros vôos feitos por um homem, como tais, reconhecidos por todos os jornais do mundo inteiro. Basta abri-los, mesmo os dos Estados Unidos, para se constatar esta opinião geral. Podia citar todos os jornais e revistas do mundo, todos foram, então, unânimes em glorificar esse minuto memorável na história da Navegação Aérea.
No ano seguinte, o aeroplano Farman fez vôos que se tornaram célebres: foi esse inventor aviador que primeiro conseguiu um vôo de ida e volta. Depois dele, veio Blériot, e só dois anos mais tarde é que os irmãos Wright fazem os seus vôos. É verdade que eles dizem ter feito outros, porém, às escondidas.
Eu não quero tirar em nada o mérito dos irmãos Wright, por quem tenho a maior admiração; mas é inegável que, só depois de nós, se apresentaram eles com um aparelho superior aos nossos, dizendo que era cópia de um que tinham construído antes dos nossos.
Logo depois dos irmãos Wright, aparece Levavasseur com o aeroplano 'Antoinette', superior a tudo, quanto, então, existia; Levavasseur havia já 20 anos que trabalhava em resolver o problema do vôo; poderia, pois, dizer que o seu aparelho era cópia de outro construído muitos anos antes. Mas não o fez.
O que diriam Édison, Graham Bell ou Marconi se, depois que apresentaram em público a lâmpada elétrica, o telefone e o telégrafo sem fios, um outro inventor se apresentasse com uma melhor lâmpada elétrica, telefone, ou aparelho de telegrafia sem fios dizendo que os havia construído antes deles?!
A quem a humanidade deve a navegação aérea pelo mais pesado que o ar? Às experiências dos irmãos Wright, feitas às escondidas (eles são os próprios a dizer que fizeram todo o possível para que não transpirasse nada dos resultados de suas experiências) e que estavam tão ignorados do mundo, que vemos todos qualificarem os meus 220 metros de 'minuto memorável na história da aviação', ou é aos Farman, Bleriot e a mim que fizemos todas as nossas demonstrações diante de comissões científicas e em plena luz do sol?"
Dessas declarações deduz-se, claramente, que Santos Dumont não acreditava no alegado pelos irmãos Wright.
Os vôos de Santos Dumont, realizados em 1906, tiveram, como já vimos, uma repercussão universal e é-nos grato recordar aqui as palavras do Capitão Ferber, um dos maiores entusiastas e estudiosos da aeronáutica em França, e o homem que defendeu os Wright e sempre acreditou nas experiências dos irmãos de Dayton.
Por elas se evidencia o ambiente da época e delas poderemos partir para a argumentação que se seguirá e representará a defesa da prioridade de Santos Dumont: "O recorde foi aumentado para 220 metros um mês depois e a novidade se espalhou pelo mundo inteiro com a rapidez do raio. Uma nova era começou a partir desta data, porque o encanto tinha sido rompido."
Guardem-se bem as palavras que se seguem às anteriores:
"FOI PROVADO QUE AS MÁQUINAS VOADORAS PODIAM VOAR".
É o caso de se perguntar: por que essa rapidez, por que essa divulgação relâmpago pelo mundo inteiro, quando em 1903, 1904 e 1905 - pelas declarações dos Wright em 1908 - estes mesmos haviam voado?
E por que, naquelas datas, o mundo inteiro ignorava a existência daqueles vôos, que só eram noticiados com ares de mistério e de lenda? Que razões tinha o Capitão Ferber para dizer que "uma nova era começara a partir daquela data (vôo de Bagatelle), justificando-a pelo "encanto perdido"? Ele não conhecia os vôos dos Wright pelas notícias e pelas cartas que recebia dos irmãos norte-americanos? Por que, então, "uma nova era", se havia uma data anterior definitiva? Por que o "encanto perdido", se o campo de Kitty Hawk servira de local ao primeiro vôo de um homem em uma máquina mais-pesada-que-o-ar?
E por que para concluir as indagações "ficara provado", de 1906 em diante, e não de 1903, "que as máquinas aéreas podiam voar"?
São
as perguntas que nos acodem ao ler o maior defensor dos Wright na
França.
Exibe-se como única prova do "vôo" dos irmãos Wright em
1903, uma fotografia que só foi publicada cinco anos mais tarde.
Devo acrescentar, ainda, que até hoje pairam dúvidas sobre a autoria da supracitada foto.
A primeira versão, quase oficial, que consta no livro da autoria de John R. Mc Mahon "The Wright Brothers", Dunlop Publishers - New York, conta que John Daniels, uma das cinco testemunhas presentes às experiências dos irmãos Wright, em 17 de dezembro de 1903, na Carolina do Norte, apertou o disparador da máquina fotográfica.
Mas cabe aqui a pergunta: porque razão esperaram cinco anos para publicá-la?
A segunda versão veio na revista Norte Americana "Air Classics", de 12 de dezembro de 1974, pág. 14-15 e 80-81: o Sr. Hugo Cook declarou a C. H. Mc Kennon que como free lancer fora enviado a Kitty Hauk, Carolina do Norte, em 17 de dezembro de 1903, pela "American Press" para fazer a cobertura fotográfica das experiências que ali tiveram lugar.
Vejam os leitores que até os historiadores Norte Americanos não são acordes quanto a certos fatos históricos.
A televisão brasileira passou, em 1995, um filme-documentário intitulado "As guerras do século", mostrando "o primeiro vôo dos Wright em 1903"; esse filme na realidade mostra um vôo realizado em Fort Myer em 1908, e não o pretenso vôo de Kitty Hawk em 1903. Não existe registro cinematográfico dos Wright anterior a 1908.
Em 19 de março de 1904, os Wright requeriam, na Inglaterra, patente para um planador (sem motor) de sua invenção. Fato estranho para quem alega ter voado com motor um ano antes. Essa patente tomou o número 6732, conforme consta na revista Flight, nº 774.
Figura 1
Desenhos da patente inglesa
dos Wright
Outra patente foi obtida pelos Wright em 1906, dessa vez nos Estados Unidos, para uma "máquina voadora" - outro planador. A patente foi concedida em 22 de maio do referido ano, sob o número 821.393.
Em 1904, na Exposição Universal de São Luís, no Missouri, um prêmio de 100.000 dólares estava sendo oferecido para quem realizasse, perante testemunhas, um vôo mecânico de 10 milhas (16 quilômetros). Missouri dista apenas 600 km de Dayton, Ohio, (residência dos Wright) isto é, é muito mais próxima de Dayton do que Kitty Hawk, na Carolina do Norte, distante cerca de 900 km. Os Wright tomaram conhecimento do prêmio, mas estranhamente decidiram não competir; se, como diziam, podiam voar desde 1903, por quê não tentaram conquistar o prêmio?
Do jornal "O Globo", de 27 de maio de 1973, transcrevemos o seguinte trecho do discurso proferido por Pierre Clostermann, herói da aviação francesa na RAF, durante a 2a Guerra Mundial: "A história, que às vezes é injusta, escreveu que numa parte da costa deserta do Atlântico, dentro da clandestinidade, sem testemunhas, dois jovens americanos tinham conseguido, em 1903, efetuar num vôo em planador motorizado lançado por catapulta. Mas finalmente, o primeiro vôo de um mais-pesado-que-o-ar que se eleva por seus próprios meios, oficialmente controlado e homologado, e foi este, sem discussão possível, o de Santos Dumont."
Os vôos de Santos Dumont do dia 12 de novembro de 1906 foram filmados por uma companhia cinematográfica. Esse filme constitui uma das diversas provas oficiais que dão a primazia do vôo, em avião, ao brasileiro Santos Dumont.
Não pode deixar de causar estranheza o fato de que dois inventores, tendo nas mãos uma descoberta de supremo interesse para o progresso da humanidade, para a causa da civilização, procurem mantê-la cercada do maior segredo, conduzindo as suas experiências longe de todos os testemunhos, empenhados em manter essa reserva durante vários anos, conforme alegam e confirmam os seus biógrafos, com receio de perder os proventos materiais que esperavam obter de sua invenção. Esse espírito de mercantilismo, incompatível com a verdadeira atitude científica, contrasta flagrantemente com o gesto dos experimentadores europeus, que davam toda a publicidade aos seus ensaios, com o desprendimento de que sempre deu mostras Santos Dumont. O problema essencial era levantar vôo do solo, exclusivamente com os próprios meios do aparelho, sem outro recurso senão o do motor que acionava a hélice. Foi, pois, Santos Dumont o primeiro homem que resolveu integralmente o problema do mais-pesado-que-o-ar. Ainda em 1909 escrevia Anatole France: "Wright é o detentor do recorde de distância, só e com passageiro. Mas ele não ergueu vôo pelos meios do próprio aparelho."
Os historiadores da aviação não têm o direito o direito de ignorar ou esquecer esse fato.
O primeiro vôo de Santos Dumont, com o seu "14-bis", teve uma publicidade retumbante, e foi realizado diante de uma multidão de testemunhas. Os alegados vôos dos Wright foram praticamente clandestinos. É o que põe em destaque Georges Besançon, por muitos anos um dos diretores do Aeroclube de França, quando escreve: "O que a nós parisienses sempre parecerá inacreditável, quando víamos a multidão acorrer a Bagatelle para as primeiras tentativas de Santos Dumont, é que só cinco pessoas tenham assistido ao famoso sucesso dos Wright." Os Wright escreveram ao Capitão Ferdinand Ferber, aeronauta francês, e pediram uma "descrição minuciosa e esquemas" do avião de Santos Dumont ("14-bis"), cujos feitos notáveis já eram amplamente divulgados. Eis a carta:
"Caro Capitão Ferber:
Meu irmão e eu tomamos conhecimento, por uma correspondência de Paris publicada no 'New York Herald', que o público francês apreciou grandemente um vôo de 220 metros em linha reta de Santos Dumont, num aeroplano de sua construção. Ficaríamos muito satisfeitos de conhecer notícias exatas sobre as experiências de Bagatelle, e estamos certos de que fareis para nós um relatório fiel dos ensaios e uma descrição da máquina voadora, acompanhada de um esquema. Já tivemos a oportunidade de ver, numa gravura do 'New York Herald', que o aeroplano repousa na terra sobre três rodas, deduzimos então que necessário se faz, a Santos Dumont, uma corrida prévia para decolagem, isto realizado sobre um campo extenso e uniforme. Com a catapulta de lançamento que empregamos, Orville e eu saltamos diretamente no ar, com a velocidade adequada, de uma forma mais prática. Desde que os franceses julgam sensacional desempenho um vôo em linha reta de apenas 220 metros, estamos certos de encontrar excelente ambiente se chegarmos a fazer exibições na França. Entretanto, a viagem e o transporte da máquina e da catapulta, obrigarão despesas elevadas para dois pobres mecânicos de Dayton. Por isso, caro Capitão Ferber, se técnicos franceses, escolhidos por vós, desejarem vir a Dayton, para eles faríamos a exibição da máquina no campo vizinho, com um vôo de cinco minutos, em circuito completamente fechado, cedendo-lhes opção para o desempenho e venda da máquina, mediante o pagamento de 50.000 dólares.
Sinceramente,
Wilbur Wright"
Essa missiva é um documento curioso sob vários ângulos. Revela a estupefação dos Wright diante do meio empregado por Santos Dumont a fim de alçar vôo. Ambos desejaram obter "notícias exatas" a respeito das "experiências de Bagatelle". Ainda solicitaram "um relatório fiel dos ensaios e uma descrição da máquina voadora, acompanhada de um esquema"; todavia o detalhe que mais os preocupava, que mais os deixava curiosos, era como o "14-bis" decolava sem o auxílio de catapultas e torres providas com discos de metal. Eles não afirmaram, na carta, que eram capazes de fazer o mesmo, que a máquina na qual teriam executado vôos podia decolar, voar e aterrissar, tudo pelos próprios meios do aparelho. Outro pormenor importante é que Wilbur Wright não assegurou, nessas palavras dirigidas ao Capitão Ferber, que ele e Orville foram os primeiros que voaram num mais-pesado-que-o-ar com motor. Quanto a este fato, silenciaram por completo, não apresentando nenhuma reivindicação.
Finalmente, em 8 de agosto de 1908, fazem os Wright a primeira exibição, em público, na França. Verificou-se, então, que eles precisavam, para levantar vôo, de uma catapulta, torre, trilho, "pilone", etc.
Somente o "pilone" tinha 700 kg e o trilho de madeira comprimento de 24 metros.Nenhum jornal norte-americano publicou, antes do dia 23 de outubro de 1906, qualquer fotografia das experiências dos Wright. As primeiras fotografias apareceram somente em 1908, na "Century Magazine", em setembro.
Nos vôos efetuados em Le Mans (França) a partir de agosto de 1908, os irmãos Wright utilizaram um motor de fabricação francesa, "Barriquand et Marre" bem mais leve e potente do que fora utilizado em suas experiências precedentes.
Figura 2
New York Times - 17-12-1951
Conforme o jornal "The New York Times" de 17 de dezembro de 1951, o telegrafista Alpheus W. Drinkwater, que tinha trabalhado em uma estação telegráfica próxima ao local das experiências que os Wright fizeram em 1903 na Carolina do Norte, declarou que em 17 de dezembro de 1903 os Wright apenas "planaram", e que o seu primeiro vôo real teve lugar somente em 6 de maio de 1908 (Figura 2).
Segundo o livro "Geschichte der Luftfahrt" da autoria de Kurt W. Streit, que constitui a mais recente e completa obra sobre a história da navegação aérea em idioma alemão, a relação potência/massa comparativa entre os aviões de Santos Dumont ("14-bis") e dos irmãos Wright ("Flyer") é a seguinte:
Ano |
Piloto |
Máquina
Voadora |
Relação
Potência/Massa |
1903 |
Wright |
Flyer |
1
cv para cada 28,3 kg |
1906 |
Santos
Dumont |
14-bis |
1
cv para cada 6 kg |
Com tal relação potência/massa a aeronave dos Wright jamais teria condições de alçar vôo mecânico.
O aparelho original dos Wright esteve durante vinte anos depositado no Museu de Ciências de South Kensington, na Inglaterra. Teria sido para lá enviado por Orville Wright. O inventor o havia remetido para o estrangeiro porque o Instituto Smithsonian, de Washington, o recusara, porque não considerava devidamente homologados os "vôos" que os dois irmãos americanos alegavam ter realizado, nos Estados Unidos, no referido aparelho.
Na grande sessão realizada em 1910, no Aeroclube de França, ficou registrado na ata "ter sido Santos Dumont o primeiro aviador do universo inteiro que subiu em aeroplano com motor".
Evidencia-se assim que a França nunca esqueceu os feitos do notável brasileiro, apesar da intensa propaganda desenvolvida por ocasião dos vôos realizados pelos irmãos Wright naquele país, a partir de 8 de agosto de 1908.
Note-se, outrossim, que poucos meses antes do célebre vôo de 23 de outubro de 1906, Santos Dumont fora recebido pelo Presidente Theodore Roosevelt que lhe pediu informasse às classes armadas norte-americanas quanto à utilização do dirigível como aparelho de defesa, observação e ataque a submarinos.
Eis os dados publicados no número 12 do volume 17 da revista norte-americana "National Aeronautics", órgão oficial da "National Aeronautics Association" de Washington, de 1939:
Recordista |
País |
Data |
Lugar |
Recorde em Milhas |
Santos
Dumont |
França |
12/11/1906 |
Bagatelle |
0,136 |
Henri
Farman |
França |
26/10/1907 |
Issy-les-Moulineaux |
0,478 |
Henri
Farman |
França |
13/01/1908 |
Issy-les-Moulineaux |
0,621 |
Henri
Farman |
França |
21/03/1908 |
Issy-les-Moulineaux |
1,242 |
Leon
Delagrange |
França |
11/04/1908 |
Issy-les-Moulineaux |
2,438 |
Leon
Delagrange |
Itália |
30/05/1908 |
Cantocelle |
7,922 |
Leon
Delagrange |
França |
16/09/1908 |
Issy-les-Moulineaux |
<14,989 |
Wilbur
Wright |
França |
21/09/1908 |
Auvours |
41,382 |
Wilbur
Wright |
França |
19/12/1908 |
Auvours |
62,012 |
Wilbur
Wright |
França |
31/12/1908 |
Auvours |
77,485 |
Vê-se que nesse quadro Santos Dumont detém o primeiro lugar e os Wright somente o oitavo. Durante muitos anos esses dados de caráter oficial foram publicados sem que tenha havido qualquer contestação.
Figura 3
Recordes publicados pela "National
Aeronautics" em 1939, em fotomontagem
Na edição brasileira da revista norte-americana "Reader's Digest" de dezembro de 1942, encontramos um artigo intitulado "Santos Dumont, Pai da Aviação", condensado da revista "Air facts". Da página 54 transcrevemos o seguinte trecho: "Em 1906 deu ao mundo a primeira demonstração pública de vôo num aparelho mais pesado que o ar (os irmãos Wright só vieram a voar publicamente em 1908)."
Conclusão: fatos não mentem. A primazia do vôo mecânico é, incontestavelmente, do nosso Santos Dumont. Entretanto, para roubar essa glória, os norte-americanos desencadearam uma grande campanha em favor dos irmãos Wright.
A culpa não cabe, propriamente, aos norte-americanos, e sim, aos brasileiros, que não souberam aproveitar a oportunidade do sucesso alcançado por Santos Dumont.
"Em 1907 os irmãos Wright desembarcaram no Havre (França) levando um avião (Flyer), mas não voaram e nem se quer o exibiram. Porque motivo? Lembrar que nessa época, Santos Dumont e outros pioneiros franceses já haviam voado publicamente".
"Nem nos Estados Unidos os irmãos Wright foram os primeiros a voar publicamente. O primeiro voo controlado pela "FAI" (órgão mundial de aviação até os dias atuais) foi realizado pelo construtuor e piloto norte-americano Glenn Curtiss em seu "june bug", em 4 de julho de 1908. Voou 1 minuto e 45 segundos, ganhando o troféu instituído pela revista "Scientific American". Segundo, em 6 de julho de 1908, o francês Henri Farman, pilotando seu avião "voisin", voou nos Estados Unidos 20 min 19,5 seg, ganhando o premio "1/4 de hora"."
Devemos realçar, também, que não se pode considerar como resolvido o problema do vôo mecânico (mais pesado que o ar) por um aparelho incapaz de, por seus próprios meios, erguer-se do solo (os irmãos Wright dependeram da catapulta até 1910).
É necessário que a vida e a obra do grande brasileiro saiam do elemento especializado e penetrem nas escolas, faculdades e fábricas; no povo, enfim.
Render homenagem à memória desse grande aviador é a obrigação moral nossa.
Não nos esqueçamos de que Santos Dumont deu asas ao mundo e glória ao Brasil.

Bibliografia
"Santos Dumont e a conquista do ar" - De autoria do Embaixador Aluízio Napoleão, editado pelo Ministério das Relações Exteriores. 1941.
"Quem deu asas ao homem" - De autoria de Henrique Dumont Villares, publicado em 1953.
"Who really invented the airplane?" - De autoria do norte-americano David C. Cooke, publicado em 1964.
"Der Mensch fliegt" - De autoria do alemão Paul Karlson, publicado em 1941.
por Márcio Barbedo Cezar (marciobcr54@gmail.com)